Programação

As mulheres na Grécia Clássica

Profª Mª Adriana Alves de Lima Lopes

A proposta de nosso Curso é destacar a relevância de algumas mulheres na Grécia Clássica, ressaltando aspectos de sua biografia, historicidade, formação intelectual. Nesse sentido, discutiremos sobre a condição feminina a partir de três pensadoras: Safo de Lesbos, poetisa lírica e sua conexão com o pensamento filosófico; Aspásia de Mileto, professora, filósofa, estudiosa da retórica e conhecida como prostituta; Diotima de Mantinéia, sacerdotisa e filósofa, de grande contribuição para a filosofia socrática

Quando?: 10/02/2020  Horário?: 09h às 13h e das 14h às 18h
Onde?: Auditório da Universidade Estadual do Piauí

A filosofia de Simone Weil

Profª Mª Sorainy de Oliveira Mangueira

Simone Adolphine Weil (1909-1943), filósofa, escritora, teóloga e mística francesa. De família judia não-praticante e irmã mais nova do matemático André Weil, Simone cresceu agnóstica. Constituiu sua base filosófica a partir da militância, foi operária da Renault e lutou na Guerra Civil Espanhola. Morreu jovem aos 34 anos, na Inglaterra, em decorrência de uma tuberculose, causada por um grave quadro de desnutrição, por ter se recusado a se alimentar de forma adequada, por causa da fome que assolava o seu país, no final da Segunda Guerra Mundial. Estudou filosofia na Sorbonne e foi colega de Simone de Beauvoir. De sua experiência com o trabalho fabril, Simone Weil concluiu que não é a opressão que dá origem à rebelião, a opressão dá origem à obediência e a apatia, se dá com a internalização dos valores do opressor. Para Wiel a verdadeira política, que é aquela que almeja o bem comum, só será possível de se realizar com a extinção dos partidos políticos. Para ela o ópio do povo não é a religião, é a ideologia política. No âmbito religioso, ela se converteu ao cristianismo, mas recusou-se a receber batismo e sacramentos das instituições religiosas, optando por experienciar o verdadeiro amor de Cristo. Considerava o cristianismo "a religião dos escravos" e ela mesma como "escrava" não poderia deixar de aderir. Seu legado é de uma Filosofia autêntica, num entrelaçamento entre militância política e mística religiosa, em oposição à tradição grega ocidental. Assim, tem-se por objetivo estudar o pensamento filosófico de Simone Wiel partindo de sua história de vida pessoal até sua produção filosófica e teológica.

Palavras-Chave: Simone Wiel; política; militância; cristianismo; misticismo.

Quando?: 11/02/2020 Horário?: 09h às 13h e das 14h às 18h

Onde?: Auditório da Universidade Estadual do Piauí.

Lou-Andreas Salome e María Zambrano: sensibilidade e poesia 

Profª Drª. Solange Aparecida de Campos Costa

O curso pretende abordar a vida e o obra de duas pensadoras importantes para a filosofia do século XIX e XX: Lou-Andreas Salomé e María Zambrano.

Lou-Andreas Salomé (1861-1937) exerceu enorme influência em pensadores como Nietzsche, Rilke, Paul Rée e Freud, mas sua presença não se faz apenas notar nas obras de ícones reconhecidos, mas no modo como concebe de modo original a vida em suas obras tanto poéticas como filosóficas. Pretendemos estudar algumas de suas concepções expressas em cartas e ensaios que demonstram a agudeza e autonomia de seu pensamento.

María Zambrano (1904-1991) é um nome ainda desconhecido dentro do Brasil. Estudou filosofia e foi discípula de Ortega y Gasset, García Morente e Xavier Zubiri . Participou ativamente dos movimentos revolucionários na Espanha na década de 30. Escreveu importantes ensaios sobre o sonho, as metáforas e a poesia e foi a primeira mulher a ganhar o prêmio Cervantes, em 1988. Trabalharemos com o texto Filosofia e Poesia, no qual define de modo lírico e pungente a tarefa do fazer poético.

Quando?: 12/02/2020 Horário?: 09h às 13h e das 14h às 18h
Onde?: Auditório da Universidade Estadual do Piauí 

Judith Butler : pensamento, corpo e ação

Profª Mª Roberta Liana Damasceno Costa

O presente curso versará sobre o pensamento e obra de uma das mais importantes filósofas da atualidade, a estadunidense Judith Butler. Iniciaremos com uma introdução ao pensamento butleriano para que possa ser apresentada uma compreensão dos conceitos que cercam o modo de pensar e conduzir as questões no fazer filosófico da autora. Deixar a voz dos textos filosóficos de Judith emergir, para que em nossas reflexões provoquem ressonâncias diante de suas ideias-chaves de sujeito, gênero, sexo, linguagem e psique, é colocar em debate todo sistema de normatividade. O debate que pulsa destas ideias-chaves são resultado das suas contribuições para os mais diversos campos do conhecimento como: filosofia, política, literatura, ética, psicanálise e linguística. Nosso encontro terá seu encerramento com uma exposição sob o olhar das contribuições dos estudos de Judith para a visibilidade de autoras e filósofas no Brasil. Sem pretendermos uma conclusão, nosso objetivo para este curso é que a voz dos estudos de Judith Butler e de muitos outros autores/pensadores possam nos acompanhar na potência criativa de nossas ideias e na afirmação de nossa voz.

Ideias-chaves: Sujeito. Poder. Gênero. Linguagem

Quando?: 13/02/2020 Horário?: 09h às 13h e das 14h às 18h

Onde?: Auditório da Universidade Estadual do Piauí 

PRAGMATISMO, FILOSOFIA E GÊNERO - EXPLICAÇÕES SOBRE O SILÊNCIO DAS VOZES FEMININAS

Profª Drª Edna Maria Magalhães do Nascimento (PPGFIL - UFPI) e Têmis Oliveira (PEDAGOGIA - UFPI)

O presente trabalho busca investigar as causas do silêncio das vozes femininas ao longo da história do pensamento filosófico. Têm-se como objetivos: discutir as razões do silêncio do gênero feminino dentro da filosofia; compreender o gênero como uma construção histórica; resgatar as vozes que foram silenciadas pela epistemologia do patriarcado; refletir sobre o papel do pensar crítico na perspectiva das mulheres; compreender porque muitas mulheres desistem da atividade filosófica; estudar os desafios para a constituição de uma filosofia sem misoginia. Sabe-se que a filosofia se constituiu enquanto um campo de conhecimento uma área que tem predominado a presença masculina seja em projetos de pesquisa seja em publicações, docência, enfim em toda a atividade filosófica. Nos últimos anos tem crescido a pesquisa que investiga a relação entre filosofia e gênero. A filosofia trata de questões relacionadas ao ser humano de um modo geral, mas, pouco se vê algo relacionada às questões de gênero. Pensando nestas questões apresentamos o presente projeto de pesquisa que tomará como referência estudos que estão sendo conduzidos pelo recém-criado GT da ANPOF - Associação Nacional de Profissionais de Filosofia. Entende-se que ao falar de 'gênero' nos referimos a algo que esta além das diferenças biológicas entre homens e mulheres. Gênero é um conceito que pode ser entendido ao lado da luta das mulheres pelos seus direitos. Portanto, gênero não é apenas sinônimo de sexo, masculino ou feminino, mas o conjunto de expressões daquilo que se pensa sobre o masculino e o feminino. Trata-se do que a sociedade construiu longamente, durante os séculos de sua história, significados, símbolos e características para interpretar cada um dos sexos. A essa construção dá-se o nome de relações de gênero. A própria filosofia tem servido, em muitos casos, ao longo de sua história, para justificar a desigualdade entre os sexos. Porém, ainda que a Filosofia tenha um caráter ideológico (ideológico no sentido de encobrir relações de poder ilegítimas), pode também possuir um potencial emancipatório que reside em sua força crítica. No decorrer do estudo constatamos que as mulheres se interessam tanto quanto os homens pela Filosofia, mas, uma vez tendo se interessado, e tendo sido admitidas nos cursos universitários em pé de igualdade com os homens, em algum momento, desistem. De algum modo, por alguma razão, elas são expulsas da área. É isso o que preocupa, quando, em resposta às lutas feministas do último século, assume-se como desejável uma representação igualitária de gênero em todas as áreas do saber. É isso o que precisa ser compreendido e interpretado. Por que as mulheres desistem? A resposta a essa pergunta depende, em boa parte, de algum tipo de pesquisa empírica. Seria preciso inquirir as mulheres sobre isso. Como faltam dados, resta-me recolocar a pergunta e seguir uma trilha mais especulativa. Pergunto: seria possível localizar na própria Filosofia, enquanto domínio do saber, ou no modo como ela é exercida no ambiente acadêmico, algo que pudesse explicar por que as mulheres desistem dela? A filosofia pragmatista poderia oferecer subsídios teóricos e práticos para compreender esta problemática? São estas considerações e reflexões objetos dessa investigação.

Palavras-chave: Filosofia. Gênero. História. Pragmatismo.

Quando?: 14/02/2020 Horário?: 09h às 13h e das 14h às 18h

Onde?: Auditório da Universidade Estadual do Piauí